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Há
quase dez anos sou um mero praticante de Yoga. Mero é
a palavra correta, pois a pratico como diletante e me dando o
direito de faltar. Isso não
é
problema para a minha jovem e charmosa professora de 70 anos.
Ela sabe que sou irreverente e,
de vez em quando, me dá
um gentil puxão
de orelhas ao me flagrar fazendo paródias
com os Mantras.
Para quem não
sabe, Mantras são
sons que se repetem com o objetivo de elevar e transcender o
pensamento. Mal comparando seriam
como saudações
tipo: aleluia,
ave, bendito etc.
Yoga é
uma técnica
de condicionamento físico,
se você
é leigo
e quer apenas mexer, de forma suave com o seu corpo, da ponta do
dedão
do pé
ao couro cabeludo. As aulas duram, em média,
uma hora, sendo os 1 5 minutos finais
destinados a relaxamento integral no chão
ou em uma prancha inclinada de madeira. Na parte mais alta, apoiados
por um pequeno cavalete a uns 30 cm do chão,
ficam os pés.
O restante do corpo recebe irrigação
sangüínea
e a cabeça
permanece quase rente ao chão.
Os exercícios
de Yoga, de um modo geral, são
simples e começam
com a pessoa de pé,
movimentando a cabeça,
os olhos, o pescoço,
o tronco e os membros. Após
o aquecimento inicial, são
feitos exercícios
com você
sentado na posição
semelhante a de um faquir, com as pernas cruzadas. Não
há
nada de esotérico.
É
puro exercício,
feito de forma lenta e com efeitos dignificativos para o corpo e para
a mente.
Antes do relaxamento final, há
exercícios
deitado em que se movimenta o corpo de todas as maneiras, para todos
os lados, culminando com uma posição
invertida parecida com o "plantar bananeira" que fazíamos
quando criança.
É
claro que estou falando de Yoga com uma visão
simplista, ocidental e sem descer a análises
sobre a nomenclatura das posições
e movimentos, todos na língua
(morta) Sânscrito.
É
lógico
que não
estou descrevendo princípios
iniciáticos
nem falando sobre os vários
tipos de Yoga. O que estou querendo passar é
a possibilidade de qualquer pessoa, independente de idade, fazer uma
experiência.
Assistir a uma ou duas aulas de Yoga nos diversos cursos espalhados
pela cidade pode abrir caminho para superação
de alguns problemas físicos
como bursite, artrite cefaléia
etc. Há muitas
pessoas que melhoram o nível
de stress e ficam com uma visão
holística
do mundo.
Na turma que freqüento,
bem cedo da manhã,
ninguém
se preocupa com o sobrenome e a profissão
de quem está
ali ao seu lado, de pés
descalços,
com roupas folgadas e zero de exibicionismo.
Tudo é
muito simples, sem a preocupação
de ser mais novo ou mais velho, mais magro ou mais gordo e, por
incrível
que pareça,
no silêncio
que caracteriza os movimentos as pessoas se sentem imantadas ao chão
e resguardadas dos problemas que as esperam lá
fora.
Diário do Nordeste -
19/11/95
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