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Metodologia do Vinyoga PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pe. Stelfan Rudnicki   
23-Mai-2010

Metodologia do Vinyoga

 

gandhi(2).jpgConceitos Básicos:

1. A Linguagem -

A tradição ariana da índia considera o sânscrito como a língua divina pela qual Deus (Ishvara), isto é, o Absoluto, na sua forma antropomorfisada (Deus como pessoa, o que para o Vedantismo não é a última verdade), se comunica com os seus devotos através da aparên­cia "de mil rostos". Deste modo consi­dera-se Deus como Saguna, a quem a nossa razão (expressão do nosso co­nhecimento inferior) atribui diversas qualidades que ocultem o mistério.

Através das máscaras ou rostos do antropomorfismo e antropopatetismo, o Absoluto pode ser atingido pela ênstase mediante o "bija" (conteúdo sensorial), onde se trabalha com elementos simbó­licos, oníricos ou análogos, mas tam­bém pode ser atingido sem "bija" dire­tamente, na dependência da capacidade do sujeito cognoscente.

 

2. Poder Enérgico das palavras e das
letras.

De acordo com a visão de Mantra Yoga (ou Nadayoga = Yoga das vibra­ções), não só as palavras e frases, mas até as letras do alfabeto sânscrito cor­respondem a vibrações cósmicas reais. Neste sentido não se trata apenas de um instrumento gnoseológico, mas de uma energia consciente, que se identifica com Parashiva (tal afirmação coincide com o Cabalismo).

3. O Sentido de Vinyoga e Vinyasana

"Vina" significa escada ou subida, lenta e graduada, bem organizada. Mahabaratha usa esta palavra como flauta do Avatar dourado, ou seja, de

Krishna. O registro musical dos furos (notas) da flauta torna-se uma verdadei­ra subida ou descida de vibrações ener­géticas conscientes, análogas à roda flamejante de Shiva. Só que a Vina de Krishna corresponde a vibrações de devoção amorosa (Bhakti), enquanto as vibrações de Shiva são mais complexas, pelo menos na interpretação do Shiva-ísmo de Kashmir.

Dado isso, Vinyasana vem a ser uma prática do Vinyoga e consiste numa suave subida e descida bem or­ganizada e conscientemente planejada para atingir uma postura psicossomática (ásana) a ser executada do modo mais completo e perfeito possível.

O Vinyoga aplica a sua metodologia a todos os elementos yóguicos através da não-violência (ahmisa) ou através do Yoni Mudra.

3.1. Vinyoga de Ahmisa -

Quem estuda a vida de Gandhi ob­ serva uma verdadeira vina para ahmisa. Gandhi, na sua veneração da vaca, não lhe toma o leite (só usando leite de ca­bra, o que na sua autobiografia conside­ra como hipocrisia e covardia), por­quanto a vaca não representa para Gan­dhi a Grande Mãe, de rosto benigno, mas está apenas por todos os seres ir­racionais oprimidos pela agressividade humana. Não se trata, pois de venera­ção, e sim de pena. Por isso, o aspecto divino do culto da vaca não decorre do animal em si, mas do princípio da não-violência ativa. A promessa de Gandhi de não tomar leite de vaca foi nele pro­vocada pelo tratamento brutal que a maioria dos lavradores indianos aplica­va à vaca, (embora não a matem nem lhe comam a carne). Nesta "veneração" da vaca, Gandhi expressa sua verdadei­ra opção pelos mais fracos, a qual atitu-

de vai aparecer também em relação aos párias.

3.2. Vinyoga de Yoni Mudra

Nesta modalidade de práticas vinyó- guicas poder-se-iam incluir: respiração lenta e consciente, treinos isolados de Jiva banda, Jalandahara banda e Mula-banda; também os exercícios estatísticos de Udiyana banda, de Sitali, meditação sobre Kundalini ou sobre os chakras que não atuaram bem na pessoa; ainda mantras (ou japas) para o rosto benigno de Kali. Como postura de compensação (prokriasana) poder -se-ia propor ashvini mudra, acompanhada de respi­ração calmante.

Em seguida vem Yoga Nidra. Cita­dos exercícios poderiam preencher o tempo costumeiro de hora e meia. É evidente que o núcleo central do treino deve ser enquadrado no esquema típico usado pelo instrutor da academia, para evitar usos impróprios (certas pessoas não usam os mantras por causa do fa­natismo desordenado de adversários).

4. Bases Hipotéticas

Verdades instrumentais, aceitas como se fossem verdade absolutas ("ais ob" de Weiniger).

4.1. Shivaísmo de Kashmir

Especialmente na forma de Shiva Sutras e na interpretação de Muktanan- da e inculturando-se na situação brasi­leira através do Holismo (configurado com a física moderna) e das Psicologias de Psicossíntese, Logoterapia, Psico-drama e Psicologia Transpessoal (sob reinterpretação do antigo Vedantismo de Shakaracharya). Aqui reconhecemos muita proximidade com P. Weil e as últimas obras de Leonardo Boff.

4.2. Pelo tempo limitado, não posso aprofundar-me nas hipóteses básicas, mas aceito questionamentos na hora dos debates.

5. A adesão do autor ao Vinyoga nasceu de necessidades e ocorrências existenciais.

* Aos 5 anos de vida, alguém lhe falou que o Yogue deveria sentar-se em padmasana (lótus). Após muitas tentati­as frustradas quase dolorosas, o menino chegou à conclusão de que tal postura não lhe ser possível, que ele deveria desistir, pois que sempre seria um Yogue apenas em sonhos, não na realidade.

A respeito podemos lembrar P. Burton (em índia Misteriosa), que, quase iniciado, sob a pressão dos mes­tres gastou oito meses de trabalho inten­so para aprender a sentar-se em padma­sana.

* Aos 10 anos, o mesmo menino começou a ler os Upanishades e também encontrou um livro (do autor polonês Ochorowicz) parcialmente dedicado a Yoga. O texto tratava de pranayama e explicava a respiração alternada. Na falta de instrutor, o menino ingenuamente imaginava que deveria abrir e fechar as narinas com o puro poder mental, sem toque de dedo, ou pelo menos, provocar a contração das narinas semelhantemente a um cavalo, que nada em água funda, mesmo sem saber alternar sua respiração.muita proximidade com P. Weil e as últimas obras de Leonardo Boff.

4.2. Pelo tempo limitado, não posso aprofundar-me nas hipóteses básicas, mas aceito questionamentos na hora dos debates.

5. A adesão do autor ao Vinyoga nasceu de necessidades e ocorrências existenciais.

* Aos 5 anos de vida, alguém lhe falou que o Yogue deveria sentar-se em padmasana (lótus). Após muitas tentati­as frustradas quase dolorosas, o menino chegou à conclusão de que tal postura não lhe ser possível, que ele deveria desistir, pois que sempre seria um Yogue apenas em sonhos, não na realidade.

A respeito podemos lembrar P. Burton (em índia Misteriosa), que, quase iniciado, sob a pressão dos mes­tres gastou oito meses de trabalho inten­so para aprender a sentar-se em padma­sana.

* Aos 10 anos, o mesmo menino começou a ler os Upanishades e também encontrou um livro (do autor polonês Ochorowicz) parcialmente dedicado a Yoga. O texto tratava de pranayama e explicava a respiração alternada. Na falta de instrutor, o menino ingenuamente imaginava que deveria abrir e fechar as narinas com o puro poder mental, sem toque de dedo, ou pelo menos, provocar a contração das narinas semelhantemente a um cavalo, que nada em água funda, mesmo sem saber alternar sua respiração.

* Posteriormente vieram observações de alguns instrutores - você deve tentar as práticas sem encarar o caminho na sua extensão total, pois isso leva a um verdadeiro desespero. Por exemplo, a posição de mayurasana, postura de pavão, com pernas cruzadas em lótus. A afirmação de que a postura é gostosa e duradoura (que é uma inverdade para principiantes) leva a um verdadeiro desespero.

Com todo o respeito e simpatia pelo sadguru tântrico Paulo Murilo, cheguei a concluir que a sua política de práticas avançadas com pessoas não completamente integradas ainda é um absurdo metodológico. Este grande guru trabalha com um grupo de idosos na praia de Copacabana e chega a resultados notáveis. Perguntei-lhe como um idoso com artoclerose muito avançada executa as posturas dinâmicas e complexas, e ele me respondeu que, neste caso, a aluno apelava primeiro à ordem mental, para, depois de alguns meses, conseguir executar a ásana planejada.

Não nego que o sistema funcione, mas prefiro a organização metodológica do Vinyoga. Posturas extremadas e contrárias à ordem natural levam alunos menos entusiasmados a desistirem desses exercícios forçados e do Yoga juntamente.

6. A palavra "Yoga"

Usamos a palavra Yoga de sentido "Permanecer na sua verdadeira nature­za"^. S. 1,3)

Para Gurdieff e Ouspienski, o ho­mem é um ser inacabado, cuja verda­deira natureza só se realiza por um processo que pode incluir sentidos di­versos, como o autocontrole de Yoga Sutras (1,2), a que a maioria dos auto­res ocidentais identifica com o próprio Yoga. Nesta acepção, o Yoga seria apenas um caminho, um método, se muito um estado parcial de realização da natureza, semelhante a Marga, Sa-dhana ou Vinyoga, mas não o Yoga categórico, real, final.

De bom grado aceitamos a definição de De Rose - "Yoga é uma ação que visa ao ênstase", mas com correção do terceiro sloca (Y. S. 1,3) de ê então o observador vai permanecer na sua ver­dadeira natureza".

Na inculturação do Yoga no ambien­ te brasileiro (V. M. Azevedo, em Para onde vai a Cultura Brasileira? E Coo-maraswamy Ananda, em O que é a Civilização?) preferimos falar em consciência transpessoal ou cósmica ou oceânica (em vez de falar em ênstase), ainda que com a lembrança oportuna de P. Weil (no seu romance metafórico As Ondas e o Mar) quanto à sua excelente explicação da falsa individualidade das ondas e da consciência oceânica (palavra usada pela primeira vez por S. Freud).

O palestrante atribui a esta situação, a este Yoga, uma imortalidade plena, o

que significa um alto nível de consci­ência fora do tempo e espaço (V. M. Eliade, em Sagrado e Profano). Esta situação (também chamada de Moksha) significa a libertação, melhor dizendo, a liberdade psicossomática, o Yoga Per­feito. Lamentavelmente, para quem não for "jivamukti" (libertado na vida), esta situação ideal não estará alcançada ain­da.

Desikachar e Vinyoga

Desikachar, autor, filho e discípulo de Krishnamacharya, herdeiro de uma antiga linhagem de yogues, que remonta aos mestre Nathamuni. Krishnamacha­rya era médico especializado em Ayur-veda, sistema tradicional de medicina hindu, além de ser mestre em Vendanta, sânscrito e cânticos védicos. Já Desika­char, o filho, seguiu primeiro por ou­tros caminhos - formou-se em engenha­ria e trabalhou no exterior. Um dia, enquanto passava férias na casa dos pais, começou a se sentir atraído pelo conhecimento do Yoga. A partir de então iniciou sua aprendizagem com Krishnamacharya.

O sistema que nos foi legado por Nathamuni, denominado Vinyasa, deri­ va do sânscrito, significando "Degraus inteligentemente construídos, visando alcançar a determinado objetivo".

No Vinyasa é prioritário o respeito pela individualidade de cada praticante, levando-se em conta que para cada pes­soa existe um ponto de partida, assim como objetivos a serem alcançados; esses objetivos vão mudando se acordo com as diferentes fases da vida de cada um.

Uma revista trimestral - Vinyoga - é publicada na Europa (versões francesa e espanhola). No número de abertura da Revista lemos esta definição de Desika­ char, que resume bem a essência do Vinyasa.

"O espírito do Vinyoga é partir do ponto em que cada um se en­contra. Como cada pessoa é di­ferente e muda de tempo em tempo, não pode haver um ponto inicial comum a todos. E nem respostas prontas".

* Posteriormente vieram observações de alguns instrutores - você deve tentar as práticas sem encarar o caminho na sua extensão total, pois isso leva a um verdadeiro desespero. Por exemplo, a posição de mayurasana, postura de pavão, com pernas cruzadas em lótus. A afirmação de que a postura é gostosa e duradoura (que é uma inverdade para principiantes) leva a um verdadeiro desespero.

Com todo o respeito e simpatia pelo sadguru tântrico Paulo Murilo, cheguei a concluir que a sua política de práticas avançadas com pessoas não completamente integradas ainda é um absurdo metodológico. Este grande guru trabalha com um grupo de idosos na praia de Copacabana e chega a resultados notáveis. Perguntei-lhe como um idoso com artoclerose muito avançada executa as posturas dinâmicas e complexas, e ele me respondeu que, neste caso, a aluno apelava primeiro à ordem mental, para, depois de alguns meses, conseguir executar a ásana planejada.

Não nego que o sistema funcione, mas prefiro a organização metodológica do Vinyoga. Posturas extremadas e contrárias à ordem natural levam alunos menos entusiasmados a desistirem desses exercícios forçados e do Yoga juntamente.

6. A palavra "Yoga"

Usamos a palavra Yoga de sentido "Permanecer na sua verdadeira nature­za"^. S. 1,3)

Para Gurdieff e Ouspienski, o ho­mem é um ser inacabado, cuja verda­deira natureza só se realiza por um processo que pode incluir sentidos di­versos, como o autocontrole de Yoga Sutras (1,2), a que a maioria dos auto­res ocidentais identifica com o próprio Yoga. Nesta acepção, o Yoga seria apenas um caminho, um método, se muito um estado parcial de realização da natureza, semelhante a Marga, Sa-dhana ou Vinyoga, mas não o Yoga categórico, real, final.

De bom grado aceitamos a definição de De Rose - "Yoga é uma ação que visa ao ênstase", mas com correção do terceiro sloca (Y. S. 1,3) de ê então o observador vai permanecer na sua ver­dadeira natureza".

Na inculturação do Yoga no ambien­ te brasileiro (V. M. Azevedo, em Para onde vai a Cultura Brasileira? E Coo-maraswamy Ananda, em O que é a Civilização?) preferimos falar em consciência transpessoal ou cósmica ou oceânica (em vez de falar em ênstase), ainda que com a lembrança oportuna de P. Weil (no seu romance metafórico As Ondas e o Mar) quanto à sua excelente explicação da falsa individualidade das ondas e da consciência oceânica (palavra usada pela primeira vez por S. Freud).

O palestrante atribui a esta situação, a este Yoga, uma imortalidade plena, o

que significa um alto nível de consci­ência fora do tempo e espaço (V. M. Eliade, em Sagrado e Profano). Esta situação (também chamada de Moksha) significa a libertação, melhor dizendo, a liberdade psicossomática, o Yoga Per­feito. Lamentavelmente, para quem não for "jivamukti" (libertado na vida), esta situação ideal não estará alcançada ain­da.

Desikachar e Vinyoga

Desikachar, autor, filho e discípulo de Krishnamacharya, herdeiro de uma antiga linhagem de yogues, que remonta aos mestre Nathamuni. Krishnamacha­rya era médico especializado em Ayur-veda, sistema tradicional de medicina hindu, além de ser mestre em Vendanta, sânscrito e cânticos védicos. Já Desika­char, o filho, seguiu primeiro por ou­tros caminhos - formou-se em engenha­ria e trabalhou no exterior. Um dia, enquanto passava férias na casa dos pais, começou a se sentir atraído pelo conhecimento do Yoga. A partir de então iniciou sua aprendizagem com Krishnamacharya.

O sistema que nos foi legado por Nathamuni, denominado Vinyasa, deri­ va do sânscrito, significando "Degraus inteligentemente construídos, visando alcançar a determinado objetivo".

No Vinyasa é prioritário o respeito pela individualidade de cada praticante, levando-se em conta que para cada pes­soa existe um ponto de partida, assim como objetivos a serem alcançados; esses objetivos vão mudando se acordo com as diferentes fases da vida de cada um.

Uma revista trimestral - Vinyoga - é publicada na Europa (versões francesa e espanhola). No número de abertura da Revista lemos esta definição de Desika­ char, que resume bem a essência do Vinyasa.

"O espírito do Vinyoga é partir do ponto em que cada um se en­ contra. Como cada pessoa é di­ferente e muda de tempo em tempo, não pode haver um ponto inicial comum a todos. E nem respostas prontas".


 
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