Metodologia do Vinyoga
Conceitos Básicos:
1. A Linguagem -
A tradição ariana da índia considera o sânscrito como a língua
divina pela qual Deus (Ishvara), isto é, o Absoluto, na sua forma
antropomorfisada (Deus como pessoa, o que para o Vedantismo não é a
última verdade), se comunica com os seus devotos através da
aparência "de mil rostos". Deste modo considera-se
Deus como Saguna, a quem a nossa razão (expressão do nosso
conhecimento inferior) atribui diversas qualidades que ocultem o
mistério.
Através das máscaras ou rostos do antropomorfismo e
antropopatetismo, o Absoluto pode ser atingido pela ênstase mediante
o "bija" (conteúdo sensorial), onde se trabalha com
elementos simbólicos, oníricos ou análogos, mas também
pode ser atingido sem "bija" diretamente, na
dependência da capacidade do sujeito cognoscente.
2. Poder Enérgico das palavras e das
letras.
De acordo com a visão de Mantra Yoga (ou Nadayoga = Yoga das
vibrações), não só as palavras e frases, mas até as letras
do alfabeto sânscrito correspondem a vibrações cósmicas
reais. Neste sentido não se trata apenas de um instrumento
gnoseológico, mas de uma energia consciente, que se identifica com
Parashiva (tal afirmação coincide com o Cabalismo).
3. O Sentido de Vinyoga e Vinyasana
"Vina" significa escada ou subida, lenta e graduada, bem
organizada. Mahabaratha usa esta palavra como flauta do Avatar
dourado, ou seja, de
Krishna. O registro musical dos furos (notas) da flauta torna-se
uma verdadeira subida ou descida de vibrações energéticas
conscientes, análogas à roda flamejante de Shiva. Só que a Vina de
Krishna corresponde a vibrações de devoção amorosa (Bhakti),
enquanto as vibrações de Shiva são mais complexas, pelo menos na
interpretação do Shiva-ísmo de Kashmir.
Dado isso, Vinyasana vem a ser uma prática do Vinyoga e consiste
numa suave subida e descida bem organizada e conscientemente
planejada para atingir uma postura psicossomática (ásana) a ser
executada do modo mais completo e perfeito possível.
O Vinyoga aplica a sua metodologia a todos os elementos yóguicos
através da não-violência (ahmisa) ou através do Yoni Mudra.
3.1. Vinyoga de Ahmisa -
Quem estuda a vida de Gandhi ob serva uma verdadeira vina para
ahmisa. Gandhi, na sua veneração da vaca, não lhe toma o leite (só
usando leite de cabra, o que na sua autobiografia considera
como hipocrisia e covardia), porquanto a vaca não
representa para Gandhi a Grande Mãe, de rosto benigno, mas está
apenas por todos os seres irracionais oprimidos pela
agressividade humana. Não se trata, pois de veneração, e sim
de pena. Por isso, o aspecto divino do culto da vaca não decorre do
animal em si, mas do princípio da não-violência ativa. A promessa
de Gandhi de não tomar leite de vaca foi nele provocada pelo
tratamento brutal que a maioria dos lavradores indianos aplicava
à vaca, (embora não a matem nem lhe comam a carne). Nesta
"veneração" da vaca, Gandhi expressa sua verdadeira
opção pelos mais fracos, a qual atitu-
de vai aparecer também em relação aos párias.
3.2. Vinyoga de Yoni Mudra
Nesta modalidade de práticas vinyó- guicas poder-se-iam incluir:
respiração lenta e consciente, treinos isolados de Jiva banda,
Jalandahara banda e Mula-banda; também os exercícios estatísticos
de Udiyana banda, de Sitali, meditação sobre Kundalini ou sobre os
chakras que não atuaram bem na pessoa; ainda mantras (ou japas) para
o rosto benigno de Kali. Como postura de compensação (prokriasana)
poder -se-ia propor ashvini mudra, acompanhada de respiração
calmante.
Em seguida vem Yoga Nidra. Citados exercícios poderiam
preencher o tempo costumeiro de hora e meia. É evidente que o núcleo
central do treino deve ser enquadrado no esquema típico usado pelo
instrutor da academia, para evitar usos impróprios (certas pessoas
não usam os mantras por causa do fanatismo desordenado de
adversários).
4. Bases Hipotéticas
Verdades instrumentais, aceitas como se fossem verdade absolutas
("ais ob" de Weiniger).
4.1. Shivaísmo de Kashmir
Especialmente na forma de Shiva Sutras e na interpretação de
Muktanan- da e inculturando-se na situação brasileira através
do Holismo (configurado com a física moderna) e das Psicologias de
Psicossíntese, Logoterapia, Psico-drama e Psicologia Transpessoal
(sob reinterpretação do antigo Vedantismo de Shakaracharya). Aqui
reconhecemos muita proximidade com P. Weil e as últimas obras de
Leonardo Boff.
4.2. Pelo tempo limitado, não posso aprofundar-me nas hipóteses
básicas, mas aceito questionamentos na hora dos debates.
5. A adesão do autor ao Vinyoga nasceu de necessidades e ocorrências
existenciais.
* Aos 5 anos de vida, alguém lhe falou que o Yogue deveria sentar-se
em padmasana (lótus). Após muitas tentatias frustradas quase
dolorosas, o menino chegou à conclusão de que tal postura não lhe
ser possível, que ele deveria desistir, pois que sempre seria um
Yogue apenas em sonhos, não na realidade.
A respeito podemos lembrar P. Burton (em índia Misteriosa), que,
quase iniciado, sob a pressão dos mestres gastou oito meses de
trabalho intenso para aprender a sentar-se em padmasana.
* Aos 10 anos, o mesmo menino começou a ler os Upanishades e também
encontrou um livro (do autor polonês Ochorowicz) parcialmente
dedicado a Yoga. O texto tratava de pranayama e explicava a
respiração alternada. Na falta de instrutor, o menino ingenuamente
imaginava que deveria abrir e fechar as narinas com o puro poder
mental, sem toque de dedo, ou pelo menos, provocar a contração das
narinas semelhantemente a um cavalo, que nada em água funda, mesmo
sem saber alternar sua respiração.muita proximidade com P. Weil e
as últimas obras de Leonardo Boff.
4.2. Pelo tempo limitado, não posso aprofundar-me nas hipóteses
básicas, mas aceito questionamentos na hora dos debates.
5. A adesão do autor ao Vinyoga nasceu de necessidades e ocorrências
existenciais.
* Aos 5 anos de vida, alguém lhe falou que o Yogue deveria sentar-se
em padmasana (lótus). Após muitas tentatias frustradas quase
dolorosas, o menino chegou à conclusão de que tal postura não lhe
ser possível, que ele deveria desistir, pois que sempre seria um
Yogue apenas em sonhos, não na realidade.
A respeito podemos lembrar P. Burton (em índia Misteriosa), que,
quase iniciado, sob a pressão dos mestres gastou oito meses de
trabalho intenso para aprender a sentar-se em padmasana.
* Aos 10 anos, o mesmo menino começou a ler os Upanishades e também
encontrou um livro (do autor polonês Ochorowicz) parcialmente
dedicado a Yoga. O texto tratava de pranayama e explicava a
respiração alternada. Na falta de instrutor, o menino ingenuamente
imaginava que deveria abrir e fechar as narinas com o puro poder
mental, sem toque de dedo, ou pelo menos, provocar a contração das
narinas semelhantemente a um cavalo, que nada em água funda, mesmo
sem saber alternar sua respiração.
* Posteriormente vieram observações de alguns instrutores - você
deve tentar as práticas sem encarar o caminho na sua extensão
total, pois isso leva a um verdadeiro desespero. Por exemplo, a
posição de mayurasana, postura de pavão, com pernas cruzadas em
lótus. A afirmação de que a postura é gostosa e duradoura (que é
uma inverdade para principiantes) leva a um verdadeiro desespero.
Com todo o respeito e simpatia pelo sadguru tântrico Paulo Murilo,
cheguei a concluir que a sua política de práticas avançadas com
pessoas não completamente integradas ainda é um absurdo
metodológico. Este grande guru trabalha com um grupo de idosos na
praia de Copacabana e chega a resultados notáveis. Perguntei-lhe
como um idoso com artoclerose muito avançada executa as posturas
dinâmicas e complexas, e ele me respondeu que, neste caso, a aluno
apelava primeiro à ordem mental, para, depois de alguns meses,
conseguir executar a ásana planejada.
Não nego que o sistema funcione, mas prefiro a organização
metodológica do Vinyoga. Posturas extremadas e contrárias à ordem
natural levam alunos menos entusiasmados a desistirem desses
exercícios forçados e do Yoga juntamente.
6. A palavra "Yoga"
Usamos a palavra Yoga de sentido "Permanecer na sua verdadeira
natureza"^. S. 1,3)
Para Gurdieff e Ouspienski, o homem é um ser inacabado, cuja
verdadeira natureza só se realiza por um processo que pode
incluir sentidos diversos, como o autocontrole de Yoga Sutras
(1,2), a que a maioria dos autores ocidentais identifica com o
próprio Yoga. Nesta acepção, o Yoga seria apenas um caminho, um
método, se muito um estado parcial de realização da natureza,
semelhante a Marga, Sa-dhana ou Vinyoga, mas não o Yoga categórico,
real, final.
De bom grado aceitamos a definição de De Rose - "Yoga é uma
ação que visa ao ênstase", mas com correção do terceiro
sloca (Y. S. 1,3) de ê então o observador vai permanecer na sua
verdadeira natureza".
Na inculturação do Yoga no ambien te brasileiro (V.
M. Azevedo, em Para onde vai a Cultura Brasileira? E
Coo-maraswamy Ananda, em O que é a Civilização?) preferimos falar
em consciência transpessoal ou cósmica ou oceânica (em vez de
falar em ênstase), ainda que com a lembrança oportuna de P. Weil
(no seu romance metafórico As Ondas e o Mar) quanto à sua excelente
explicação da falsa individualidade das ondas e da consciência
oceânica (palavra usada pela primeira vez por S. Freud).
O palestrante atribui a esta situação, a este Yoga, uma
imortalidade plena, o
que significa um alto nível de consciência fora do tempo e
espaço (V. M. Eliade, em Sagrado e
Profano). Esta situação (também chamada de Moksha) significa a
libertação, melhor dizendo, a liberdade psicossomática, o Yoga
Perfeito. Lamentavelmente, para quem não for "jivamukti"
(libertado na vida), esta situação ideal não estará alcançada
ainda.
Desikachar e Vinyoga
Desikachar, autor, filho e discípulo de Krishnamacharya, herdeiro de
uma antiga linhagem de yogues, que remonta aos mestre Nathamuni.
Krishnamacharya era médico especializado em Ayur-veda, sistema
tradicional de medicina hindu, além de ser mestre em Vendanta,
sânscrito e cânticos védicos. Já Desikachar, o filho, seguiu
primeiro por outros caminhos - formou-se em engenharia e
trabalhou no exterior. Um dia, enquanto passava férias na casa dos
pais, começou a se sentir atraído pelo conhecimento do Yoga. A
partir de então iniciou sua aprendizagem com Krishnamacharya.
O sistema que nos foi legado por Nathamuni, denominado Vinyasa,
deri va do sânscrito, significando "Degraus
inteligentemente construídos, visando alcançar a determinado
objetivo".
No Vinyasa é prioritário o respeito pela individualidade de cada
praticante, levando-se em conta que para cada pessoa existe um
ponto de partida, assim como objetivos a serem alcançados; esses
objetivos vão mudando se acordo com as diferentes fases da vida de
cada um.
Uma revista trimestral - Vinyoga - é publicada na Europa (versões
francesa e espanhola). No número de abertura da Revista lemos esta
definição de Desika char, que resume bem a essência do
Vinyasa.
"O espírito do Vinyoga é partir do ponto em que cada um se
encontra. Como cada pessoa é diferente e muda de tempo em
tempo, não pode haver um ponto inicial comum a todos. E nem
respostas prontas".
* Posteriormente vieram observações de alguns instrutores - você
deve tentar as práticas sem encarar o caminho na sua extensão
total, pois isso leva a um verdadeiro desespero. Por exemplo, a
posição de mayurasana, postura de pavão, com pernas cruzadas em
lótus. A afirmação de que a postura é gostosa e duradoura (que é
uma inverdade para principiantes) leva a um verdadeiro desespero.
Com todo o respeito e simpatia pelo sadguru tântrico Paulo Murilo,
cheguei a concluir que a sua política de práticas avançadas com
pessoas não completamente integradas ainda é um absurdo
metodológico. Este grande guru trabalha com um grupo de idosos na
praia de Copacabana e chega a resultados notáveis. Perguntei-lhe
como um idoso com artoclerose muito avançada executa as posturas
dinâmicas e complexas, e ele me respondeu que, neste caso, a aluno
apelava primeiro à ordem mental, para, depois de alguns meses,
conseguir executar a ásana planejada.
Não nego que o sistema funcione, mas prefiro a organização
metodológica do Vinyoga. Posturas extremadas e contrárias à ordem
natural levam alunos menos entusiasmados a desistirem desses
exercícios forçados e do Yoga juntamente.
6. A palavra "Yoga"
Usamos a palavra Yoga de sentido "Permanecer na sua verdadeira
natureza"^. S. 1,3)
Para Gurdieff e Ouspienski, o homem é um ser inacabado, cuja
verdadeira natureza só se realiza por um processo que pode
incluir sentidos diversos, como o autocontrole de Yoga Sutras
(1,2), a que a maioria dos autores ocidentais identifica com o
próprio Yoga. Nesta acepção, o Yoga seria apenas um caminho, um
método, se muito um estado parcial de realização da natureza,
semelhante a Marga, Sa-dhana ou Vinyoga, mas não o Yoga categórico,
real, final.
De bom grado aceitamos a definição de De Rose - "Yoga é uma
ação que visa ao ênstase", mas com correção do terceiro
sloca (Y. S. 1,3) de ê então o observador vai permanecer na sua
verdadeira natureza".
Na inculturação do Yoga no ambien te brasileiro (V.
M. Azevedo, em Para onde vai a Cultura Brasileira? E
Coo-maraswamy Ananda, em O que é a Civilização?) preferimos falar
em consciência transpessoal ou cósmica ou oceânica (em vez de
falar em ênstase), ainda que com a lembrança oportuna de P. Weil
(no seu romance metafórico As Ondas e o Mar) quanto à sua excelente
explicação da falsa individualidade das ondas e da consciência
oceânica (palavra usada pela primeira vez por S. Freud).
O palestrante atribui a esta situação, a este Yoga, uma
imortalidade plena, o
que significa um alto nível de consciência fora do tempo e
espaço (V. M. Eliade, em Sagrado e
Profano). Esta situação (também chamada de Moksha) significa a
libertação, melhor dizendo, a liberdade psicossomática, o Yoga
Perfeito. Lamentavelmente, para quem não for "jivamukti"
(libertado na vida), esta situação ideal não estará alcançada
ainda.
Desikachar e Vinyoga
Desikachar, autor, filho e discípulo de Krishnamacharya, herdeiro de
uma antiga linhagem de yogues, que remonta aos mestre Nathamuni.
Krishnamacharya era médico especializado em Ayur-veda, sistema
tradicional de medicina hindu, além de ser mestre em Vendanta,
sânscrito e cânticos védicos. Já Desikachar, o filho, seguiu
primeiro por outros caminhos - formou-se em engenharia e
trabalhou no exterior. Um dia, enquanto passava férias na casa dos
pais, começou a se sentir atraído pelo conhecimento do Yoga. A
partir de então iniciou sua aprendizagem com Krishnamacharya.
O sistema que nos foi legado por Nathamuni, denominado Vinyasa,
deri va do sânscrito, significando "Degraus
inteligentemente construídos, visando alcançar a determinado
objetivo".
No Vinyasa é prioritário o respeito pela individualidade de cada
praticante, levando-se em conta que para cada pessoa existe um
ponto de partida, assim como objetivos a serem alcançados; esses
objetivos vão mudando se acordo com as diferentes fases da vida de
cada um.
Uma revista trimestral - Vinyoga - é publicada na Europa (versões
francesa e espanhola). No número de abertura da Revista lemos esta
definição de Desika char, que resume bem a essência do
Vinyasa.
"O espírito do Vinyoga é partir do ponto em que cada um se
en contra. Como cada pessoa é diferente e muda de tempo em
tempo, não pode haver um ponto inicial comum a todos. E nem
respostas prontas".
|